sexta-feira, 20 de setembro de 2013

5h000

Da luz que já não entra pela janela,
por mais escancarada que esteja,
do som barulhento das ruas,
de milhares de almas vagando pela rua numa sábado a noite,
do veneno que a vida te apresenta a cada dia,
da cerveja que eu tomo pra me sentir mais viva,
do baseado que queima na minha boca,
e que por um tempo me faz escapar dessa turbulenta realidade,
de qualquer outro refugio que me leva pra longe,
da pessoa que me alimenta a alma,
do abraço que não recebo,
e do abraço que recebo,
da lição que não faço,
e do livro que tenho, mas não leio,
da vontade,
e da ausência dela,
dos pedaços que se foram,
dos que faltam,
dos que ficaram,
dos que estão indo;
do único som confortante que escuto todo dia (o som dos pássaros às 4h00. Talvez seja por isso que eu fique acordada todo dia até as 7h00)
dos milhares rostos que cruzo na rua e nunca mais vou ver,
da frieza das pessoas,
do olhar desconhecido,
do próprio desconhecido,
do vazio,
do frio,
de mim...
Para cá,
para vocês.
Sou só eu, ou essa cidade cada dia que passa se torna cada vez menor?
Mais confusa,
mais barulhenta,
cada vez mais...
Sufocante.
Da vontade de ficar na cama o dia todo,
de sentar no quarto e só ficar deitada,
sem pensar,
só ficar.
De tudo isso, o que quero é só...
Paz.
O tudo e o todo.
É o novo e o velho.
É ser e estar.
Não possuir,
Só existir.
É fugir,
pra onde tudo seja novo,
onde a primeira coisa a se mudar seja...
A luz que entra pela janela, mesmo que seja por uma fresta...
Você me entende?
É querer que o não,
vire sim.
É querer a paz,
ao invés da confusão.
É a liberdade, que hoje está escassa que eu quero.
Você me entende?
Não espero que entenda.

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